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O Boto do Araguaia (Inia araguaiensis) é a mais nova espécie de cetáceo a ser descoberta.  Em janeiro de 2014, pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e Universidade de Dundee comprovaram, através de análise genética, que essa espécie divergiu dos botos do restante da Amazônia entre um e dois milhões de anos atrás.  As corredeiras do baixo Tocantins, hoje em grande parte submersas pelo reservatório de Tucuruí, isolaram a população de botos da bacia do Tocantins e Araguaia, e isso permitiu a especiação.

Alem de diferenças em seu DNA, os botos do Araguaia têm menos dentes e crânio mais largo do que as outras espécies de boto do gênero Inia

Infelizmente, a espécie nova já está ameaçada de extinção.  Os pesquisadores que a descreveram estimam que sua população seja de no máximo 1500 animais, e talvez pouco mais de 900.  Essa população reduzida vem sendo dizimada por pescadores comerciais, que culpam os botos por roubar peixes de suas redes e revidam com tiros ou iscas envenenadas.  Nas proximidades de certos portos de pesca ao longo do Araguaia, pode-se percorrer dezenas de quilômetros sem avistar um boto.

A médio prazo, o crescimento descontrolado da agricultura industrial na bacia do Araguaia, as propostas que volta e meia aparecem de construir hidrovias e barragens, e a escassez de peixes causada pela sobrepesca ameaçam o habitat e alimento dos botos do Araguaia.

A população da espécie na bacia do Rio Tocantins é a que se encontra em estado mais crítico.  Além de muito reduzida, está dividida em pequenos grupos incomunicáveis, isolados pelas seis barragens que esquartejaram esse grande rio.  O biólogo e conservacionista, Dr. Reuber Brandão, membro do Conselho Consultivo do Instituto Araguaia, comunica que existe um grupo de botos vermelhos (“cor-de-rosa”) isolados pelas hidroelétricas de Serra da Mesa e Canabrava, em Goiás.  Essa deve ser a população mais meridonal da espécie.

A maior população da espécie ocorre no médio Araguaia, onde a ampla planície inundável, cheia de lagos e excepcionalmente rica em peixes, forma o habitat ideal para golfinhos de rio.  O Parque Nacional do Araguaia e o Parque Estadual do Cantão formam a mais importante área protegida continua para a espécie, e provavelmente abrigam a maior população local remanescente. 

Em março de 2014 o Instituto Araguaia estará testando um método para contagem de botos utilizando um veículo aéreo não-pilotado (drone).  . Como os botos sobem para respirar a cada 4-5 minutos, acreditamos ser possível contar todos os animais de um corpo d’água filmando-o de baixa altitude.  Essa tecnologia poderá viabilizar a realização de censos precisos em áreas extensas e de difícil acesso, como o Cantão e a Ilha do Bananal.  (assista ao video)

A partir de junho, início da estação seca, quando os botos saem dos igapós e se concentram nos lagos maiores e canais de rio mais profundos, pesquisadores do Instituto Araguaia vão iniciar um censo de Inia araguaiensis no Parque Estadual do Cantão como primeiro passo para estabelecer o estado de conservação da espécie.

Em 2006 foi declarado extinto o Baiji, ou boto do Rio Yangtzé, na China, vitima da sobrepesca, poluição e barragens que devastaram seu habitat.  Todas as demais espécies de golfinho de rio estão em declínio, e algumas, como o boto do Araguaia, estão reduzidas a populações isoladas e perseguidas.  Sua sobrevivência depende da proteção de seus últimos santuários, como o Parque Nacional do Araguaia e o Parque Estadual do Cantão. 

PROJETO BOTO DO ARAGUAIA